sábado, 26 de novembro de 2011

bullying na sala dos professores

tenho uma colega de trabalho acima do peso aceitável pela sociedade caga-regras e que tem sido motivo de bullying. sim. bullying entre professores. explico.
essa moça, muito inteligente, refinada, oriunda de uma família classe média que já viajou muito e optou por vender um sobrado num bairro chique de ctba e comprar uma chácara numa área rural da região metropolitana e lecionar na escola mais próxima de casa em busca de qualidade de vida é a chacota dos colegas no horário em que não está na escola.
isso me irritava de uma maneira que eu não conseguia mais disfarçar.
imaginem a cena: sala de descanso lotada na hora do intervalo e o papo que rola? a gordura da fulana. gente que nunca a viu na vida recebe todo tipo de informação sobre a determinada moça. o assunto sempre é puxado pela mesma pessoa: a professora de filosofia e religião. nessas horas eu e uma parte do grupo nos calamos ou tentamos mudar de assunto. quase sempre em vão.
essa moça em questão ( a vítima de chacota) é muito extrovertida e fala coisas que, vejam só, enrubece as faces da sociedade xixi-cocô de plantão.
engraçado é que falar mal da vida alhei não constrange ninguém , não é mesmo?
pois bem, dia desses calhou de estarmos em apenas 4 pessoas e lá vem nossa filósofa puxar o assunto. o sangue subiu na hora. eu sabia que seria voto vencido, mesmo assim falei que não achava legal falarem assim de fulana, que ninguém escolhe engoradar, que cada pessoa sabe a luta diária que é enfrentar preconceitos, que eu sinto isso na pele (ah, mas vc é magrinha! ahâ, sei.) e que eu não gostava desse papo e tal. ela e seu escudero fiel argumentaram que sim, entre os fatores engordativos está a comida e que a pessoa come muito e blá-blá-blá. eu ainda insisti que não era legal e principalmente por ela não estar presente para se defender.
foi uma discussão rápida, nosso outro colega concordou comigo e parece que ficou tudo bem. fomos embora.
no dia seguinte vem filósofa dizer que olha, você não entendeu bem, a gente ri das coisas que ela fala e não do peso, lembra que um dia ela queria um pênis de borracha?! (oh, o horror uma professora de ciências querer um usar um membro do corpo humano para ilustrar suas aulas.). mentira! já compararam a roupa íntima dela com barrigueira de cavalo. sério. eu mantive minha opinião e, é claro, a fama de não entender as brincadeiras do pessoal.
no mesmo dia filósofa e escudeiro ainda fizeram várias "brincadeiras" sobre o mesmo tema. eu só tenho a lamentar.
semana que vem essa querida será submetida a uma glastroplastia. eu desejo que ela consiga alcançar e manter sua meta, apesar de achar totalmente desnecessário.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

muito amor no coração...

...quando filho mais novo pede, enquanto andamos sem rumo pelo centro da cidade: "vamos ao sebo?". sério. vou. e pago por tudo o que ele escolhe.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

filhos perfeitos

convivo com um garoto de 14 anos pertencente a classe média baixa. já conhecia a mão dele, porém nunca tivemos intimidade e nenhuma amizade nasceu entre nós, mas o fato de eu gostar muitíssimo do crianças e adolescentes em geral e o garoto estar um pouco deslocado num ambiente que não era bem o dele acabou nos aproximando. e travamos alguns diálogos.
desse modo fiquei sabendo que ele está cursando o primeiro ano do ensino médio técnico integrado de um curso que durará quatro anos e do qual ele não está gostando, e que, além disso, faz dois cursos de língua estrangeira.
então é assim: na escola são 6 horas- aula / dia em um turno, porém ele tem reforço no contraturno 2 dias na semana e noutros 2 cursa uma língua estrangeira. a outra é cursada aos sábados.
durante nossas conversas soube que todos os irmãos foram submetidos ao mesmo regime de estudos mas que apenas uma das irmãs ainda o mantém. a outra, mais velha, abandonou quase tudo e só quer saber de namorar, segundo palavras dele mesmo.
perguntei-lhe, assim, meio em tom de brincadeira, em que horário ele brincava. "como assim, brincar?", foi a resposta que obtive. como sabia que a mãe era professora, quis saber o que ela lecionava. "não sei. minha mãe tem faculdade de psicologia, letras e matemática, mas não sei de quê que ela é professora". diálogo em casa? zero, ao que me parece.
questionei também o fato de ele continuar no curso que durará 4 anos se já durante o primeiro percebeu que não irá atuar na área (segundo ele precisa de muita matemática, matéria na qual ele deixa a desejar) e recebi a fria resposta que " é muito ruim começar alguma coisa e desistir antes de terminar".
gente, que mundo é esse? eu sei que educação é e deve continuar sendo prioridade, tanto da família, quanto do estado e talz, mas e as opções? e o que ele realmente quer da vida? não me espanta que uma das meninas já tenha perdido o interesse nos estudos, o que é muito triste, mas que nada mais é do que reflexo de uma educação opressiva por parte dos pais.
enquanto mãe tenho o firme propósito de nunca decidir nada na vida dos meus filhos porque acredito que cada escolha tem que ser pessoal e satisfatória para quem vai vivê-la.
é claro que gostaria de ter filhos doutores, PhDs, com super formações e muito dinheiro no bolso, mas e se essa não for a escolha deles? sempre pensei que meu papel de mãe é educá-los como cidadãos, trabalhar seus caráteres e não apenas e simplesmente exigir formação acadêmica. tem que haver um equilíbrio.
já como educadora (dos filhos dos outros, que fique claro) tento mostrar que essa formação é muito importante e que eles precisam decidir o que fazer da vida logo cedo, mas aí entra o fato de que são várias disciplinas e cada um vai se identificando com uma área (mesmo assim acho 16/17 anos muito cedo prá decidir uma profissão) até encontrar seu caminho.
mas nesse menino o que eu vejo é obrigação. obrigação de vencer e de ser O melhor. e como disse meu marido:"e se um cara desses não dá certo na vida, será que ele e a família estão preparados prá derrota?". pois é, fica a pergunta.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

it's my classroom

atualmente tenho 8 turmas com uma média de 40 alunos, cada. fato é que durante a semana lido com mais de 300 adolescentes lindos. amo a todos. desde os fofuchos da quinta, de onde surgem as coisas mais lindas do tipo: "profe, essa prova táva muito fácil. na próxima dificulta um pouquinho mais, please."(menina, 10 anos, linda), até os grandões das oitavas da noite. homens e mulheres, apesar da (pouca) idade, que já entenderam a necessidade de batalhar diariamente para se manter no jogo. digo isso porque sabemos que alguns alunos trabalhamo dia todo em serviços pesados e chegam a escola exaustos. claro, tem também os que só estão lá, eu acredito, para estreitar laços, cultivar amizades, o que não é de todo ruim, veja bem. e com esses eu converso muito.
meus alunos do noturno se protegem do resto do mundo através de uma casca, uma espécie de campo de força, sabe, que repele todo e qualquer contato exterior. aos pouco vamos quebrando isso e agora, quase no final do ano, já conseguimos travar diálogos. e é através dessas conversas que fico sabendo coisas interessantes e, em muitos casos, tristes. como a garota que me contou que no próximo ano não vai mais estudar porque vai casar e o marido não permitirá. me revolto intimamente, respiro e falo com toda a calma: "mas fulana, você não deve párar de estudar e marido não pode dar este tipo de ordem à mulher. isso é abuso. não aceite." ao que ela me responde: " mas se eu não casar vou ter que parar porque tenho que ficar em casa cuidando dos meus irmãos menores prá minha mãe trabalhar. prefiro casar e cuidar da minha própria família."
gente, como assim? e a escola, impotente.

domingo, 14 de agosto de 2011

ah, os vizinhos

depois de ouvirmos todo o tipo de música de qualidade duvidosa durante a maior parte do dia, marido, que tem uma empresa de áudio e iluminação, avisa :
-domingo que vem, se isso se repetir, eu vou montar um PA completo com o LINE virado prá rua e quero ver alguém reclamar! - e eu, mais que depressa, pulo da cama e aviso a galera (filhos e agregado): "vamos já fazer a melhor seleção de todos os tempos, que esse evento promete!"

(mas na verdade não queremos mesmo que se repita.
pergunta: alguém aí tem vizinhos que gostem de ouvir pink floyd em alto volume? aceito trocas.)

sábado, 30 de julho de 2011

música ao longe

lembro muito bem de quando a conheci. estava, como de costume, lendo os livros escolares dos meus tios mais velhos e encontrei um texto muito bonito. era ilustrado pela imagem de uma menina com longos cabelos pretos. não consigo lembrar do que estava escrito porém aquela imagem nunca me saiu da cabeça. era melancólica. é claro que aos 7 /8 anos eu não tinha a mínima noção de quem era érico veríssimo e nem conhecia a sua obra mas certamente foi ali, naquele momento que me tornei sua fã. alguns anos mais tarde pude ler a obra na íntegra. acompanhei o crescimento dela e torci pelo seu amor. assim como ela, eu também tenho uma paixão secreta pelo vasco. música ao longe é e sempre será um dos meus preferidos e minha filha irá se chamar clarissa.

domingo, 22 de maio de 2011

mimimimi

tenho notado vários comportamentos estranhos entre conhecidos, e o que mais tem me chocado é a atitude dos pseudocrentesintelectuais. defino: a pessoa se diz cristã, ou crente, mas critica os irmãozinhos, coitadinhos, que conhecem a bíblia e nunca leram uma linhazinha sequer da auto-ajuda do dr fulano.
sim, porque, né, o que é a bíblia? um mero livrinho escrito, supostamente, por uma entidade superior que nem phd era.
e aí gastam os tubos com livos e ingressos para palestras do dr.zinho e se escandalizam quando eu, uma crente, leio clássicos (muito menos do que gostaria, é bem verdade) da literatura mundana. sim! eu já ouvi isso.
qué dizê. eu é que tô errada. mas olha, minha concepção de religiosidade: vou à igreja, oro ao pai e leio a bíblia. literatura e música, só se for de qualidade.
escandalizei?

p.s.:por favor, atentem para a dose de ironia contida no texto acima.