sábado, 12 de dezembro de 2009

sobre a saudade

estava pensando sobre saudade.
do que você tem saudade? eu tenho saudade do que eu não tive, sabe, saudade do que não aconteceu. meu pai morreu muito cedo( prá mim, é claro) e eu sinto muita saudade, mas é uma saudade tão, tão triste que eu nem consigo definir.
ele nunca me proibiu de namorar nem controlou meus horários. eu não teimei, não respondi nem me rebelei contra sua autoridade. simplesmente não tivemos tempo.
meus momentos com ele foram sempre doces, cheios de carinho e aconchego.
ele não foi pai da adolescente birrenta. a filha dele sempre foi uma menininha meiga, uma criança que ele embalava até dormir.
ele nunca se preocupou com a filha que ficou na rua até tarde porque a filhinha dele sempre adormeceu nos seus braços.
ele nunca fechou a cara pros namorados heavy metals da filha, porque a filhinha dele nunca namorou.
a filha que meu pai teve só lhe deu alegrias e ele também só deu alegrias a ela, ao contrário de mamãe, que teve uma filha rebelde, briguenta, fujona e que usava calça rasgada (o terror das mães conservadoras!).
ambos pais da mesma filha, porém em épocas tão diferentes.
tenho absoluta certeza de que se ele tivesse vivido mais tempo nós teríamos nos magoado, como aconteceu entre mim e mamãe, mas não, com ele não houve tempo.
sinto tanta falta dele e essa imagem idealizada me intriga, porque no fundo eu queria ter olhado na cara dele e berrado. queria ter batido a porta atrás dele, queria ter sentido raiva dele, uma vezinha que fosse, mas não tive tempo. e por isso a saudade.