quinta-feira, 25 de agosto de 2011

filhos perfeitos

convivo com um garoto de 14 anos pertencente a classe média baixa. já conhecia a mão dele, porém nunca tivemos intimidade e nenhuma amizade nasceu entre nós, mas o fato de eu gostar muitíssimo do crianças e adolescentes em geral e o garoto estar um pouco deslocado num ambiente que não era bem o dele acabou nos aproximando. e travamos alguns diálogos.
desse modo fiquei sabendo que ele está cursando o primeiro ano do ensino médio técnico integrado de um curso que durará quatro anos e do qual ele não está gostando, e que, além disso, faz dois cursos de língua estrangeira.
então é assim: na escola são 6 horas- aula / dia em um turno, porém ele tem reforço no contraturno 2 dias na semana e noutros 2 cursa uma língua estrangeira. a outra é cursada aos sábados.
durante nossas conversas soube que todos os irmãos foram submetidos ao mesmo regime de estudos mas que apenas uma das irmãs ainda o mantém. a outra, mais velha, abandonou quase tudo e só quer saber de namorar, segundo palavras dele mesmo.
perguntei-lhe, assim, meio em tom de brincadeira, em que horário ele brincava. "como assim, brincar?", foi a resposta que obtive. como sabia que a mãe era professora, quis saber o que ela lecionava. "não sei. minha mãe tem faculdade de psicologia, letras e matemática, mas não sei de quê que ela é professora". diálogo em casa? zero, ao que me parece.
questionei também o fato de ele continuar no curso que durará 4 anos se já durante o primeiro percebeu que não irá atuar na área (segundo ele precisa de muita matemática, matéria na qual ele deixa a desejar) e recebi a fria resposta que " é muito ruim começar alguma coisa e desistir antes de terminar".
gente, que mundo é esse? eu sei que educação é e deve continuar sendo prioridade, tanto da família, quanto do estado e talz, mas e as opções? e o que ele realmente quer da vida? não me espanta que uma das meninas já tenha perdido o interesse nos estudos, o que é muito triste, mas que nada mais é do que reflexo de uma educação opressiva por parte dos pais.
enquanto mãe tenho o firme propósito de nunca decidir nada na vida dos meus filhos porque acredito que cada escolha tem que ser pessoal e satisfatória para quem vai vivê-la.
é claro que gostaria de ter filhos doutores, PhDs, com super formações e muito dinheiro no bolso, mas e se essa não for a escolha deles? sempre pensei que meu papel de mãe é educá-los como cidadãos, trabalhar seus caráteres e não apenas e simplesmente exigir formação acadêmica. tem que haver um equilíbrio.
já como educadora (dos filhos dos outros, que fique claro) tento mostrar que essa formação é muito importante e que eles precisam decidir o que fazer da vida logo cedo, mas aí entra o fato de que são várias disciplinas e cada um vai se identificando com uma área (mesmo assim acho 16/17 anos muito cedo prá decidir uma profissão) até encontrar seu caminho.
mas nesse menino o que eu vejo é obrigação. obrigação de vencer e de ser O melhor. e como disse meu marido:"e se um cara desses não dá certo na vida, será que ele e a família estão preparados prá derrota?". pois é, fica a pergunta.

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