atualmente tenho 8 turmas com uma média de 40 alunos, cada. fato é que durante a semana lido com mais de 300 adolescentes lindos. amo a todos. desde os fofuchos da quinta, de onde surgem as coisas mais lindas do tipo: "profe, essa prova táva muito fácil. na próxima dificulta um pouquinho mais, please."(menina, 10 anos, linda), até os grandões das oitavas da noite. homens e mulheres, apesar da (pouca) idade, que já entenderam a necessidade de batalhar diariamente para se manter no jogo. digo isso porque sabemos que alguns alunos trabalhamo dia todo em serviços pesados e chegam a escola exaustos. claro, tem também os que só estão lá, eu acredito, para estreitar laços, cultivar amizades, o que não é de todo ruim, veja bem. e com esses eu converso muito.
meus alunos do noturno se protegem do resto do mundo através de uma casca, uma espécie de campo de força, sabe, que repele todo e qualquer contato exterior. aos pouco vamos quebrando isso e agora, quase no final do ano, já conseguimos travar diálogos. e é através dessas conversas que fico sabendo coisas interessantes e, em muitos casos, tristes. como a garota que me contou que no próximo ano não vai mais estudar porque vai casar e o marido não permitirá. me revolto intimamente, respiro e falo com toda a calma: "mas fulana, você não deve párar de estudar e marido não pode dar este tipo de ordem à mulher. isso é abuso. não aceite." ao que ela me responde: " mas se eu não casar vou ter que parar porque tenho que ficar em casa cuidando dos meus irmãos menores prá minha mãe trabalhar. prefiro casar e cuidar da minha própria família."
gente, como assim? e a escola, impotente.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
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1 comentários:
Chocante ler a narrativa da garota.Dá uma tremenda sensação de impotência.
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